A Delicadeza e a Elegância são reflexos naturais de nossos hábitos e escolhas.




3 de jun. de 2010

Da Discrição

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DA DISCRIÇÃO

Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...

( Mário Quintana )

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Achei por acaso essas linhas do Poeta gaúcho e acho que ele tem toda a razão: nossos amigos possuem amigos também.

Mas como somos nós como "amigos"?
Nós "guardamos" o que ouvimos ou vamos logo contando a todo mundo a novidade?

Noto que as pessoas repetem o que ouvem com a maior naturalidade, sem verificar a fonte e até se é verdade o fato.

Com certeza não é um comportamento correto e tampouco elegante...
Ademais, podemos ser mal interpretados e até vítimas de pessoas de má índole.

Acredito que quando uma pessoa me conta um fato, mesmo que ela não diga "é um segredo, não conte para ninguém" - implicitamente eu não adquiro o direito de sair espalhando por ai. Principalmente citando a pessoa que disse e mais ainda se eu não tenho certeza se o fato é verdadeiro.

Por exemplo: Meu colega de trabalho me conta que pretende tirar férias no próximo mês e vai para o Canadá. Ótimo, eu o parabenizo e fico feliz.
Contudo, não acho que tenho o direito de sair espalhando para o resto do departamento.

Já pensou se ele nega isso na frente dos demais? Com que cara eu fico? Seria a minha palavra contra a dele... uma típica cena de criança, mas que infelizmente acontece.

Por isso, em qualquer situação em que ouvimos um fato, uma história, devemos guarda-lo para a gente e não ficar espalhando por ai, pois além de passarmos por fofoqueiros, podemos ser também taxados de mentirosos.

Outra questão importante, é quando "ouvimos dizer" um fato qualquer.
Temos que ter o cuidado de informar o ouvinte que não temos certeza do fato.

No ano passado peguei um ónibus e alguns passageiros comentavam uma frase que uma atriz famosa teria dito há muitos anos atrás, era uma frase bem preconceituosa.. E todos a criticavam "violentamente" pelas supostas palavras. Resolvi indagar àquelas pessoas se elas tinham CERTEZA sobre o referido fato, se a atriz realmente tinha dito aquilo...

De repente, todos os passageiros se calaram, ninguém tinha certeza.
Aí uma mocinha disse: "ah, mas ela seria bem capaz de dizer isso"
E continuaram a falar mal da atriz!!

Ou seja, o importante era falar mal dela. - independente de ser verdade ou não o fato narrado. Tal comportamento é mais lamentável ainda...

O cuidado no uso das palavras ainda alcança as cartas, e-mails ou qualquer coisa escrita.
As pessoas infelizmente tendem a "ler" o pior nas entrelinhas, imaginando coisas.

Falo por experiência própria: Uma vez recebi um e-mail meio seco de uma amiga e já fiquei "imaginando coisas". Dias depois quando conversamos, eu disse o que senti e notei que ela ficou super assustada, visto que apenas queria passar um recado e não se atentou para o uso das palavras. E eu aqui imaginando coisas... Ainda bem que não comentei com mais ninguém o fato, afinal, de que adiantaria também? Era um assunto meu e dela...

Contudo, já recebi e-mails em situações semelhantes do suposto "ofendido" encaminhando o e-mail p/ pessoas conhecidas e acrescentando: "olha só o e-mail que recebi de fulano! Ele não é um estúpido?!" - Isso definitivamente não adianta nada, a meu ver, só piora a situação.
O que adianta meia dúzia de pessoas a mais na história? São julgadores? São ELES que vão decidir o futuro da situação??? Por que não ouvir a pessoa antes? Por que agir já com a pedra na mão?

Acredito sinceramente que não se pode agir assim. Além de deselegante, é extremamente injusto. Ninguém é dono absoluto da verdade.
Ademais, qualquer pessoa pode errar - alias, é o que mais acontece.

E pessoas inteligentes, sensatas, sabem disso. Nessas horas, se receber um e-mail aparentemente estranho ou meio seco de um amigo, pense com calma: talvez ele não estava num dia bom, talvez ele escreveu meio rápido, talvez o e-mail nem era para você! Vale a pena jogar fora uma amizade, tantos momentos legais juntos, por causa de meia dúzia de palavras mal redigidas? É justo julgar uma pessoa por causa de um e-mail? Uma carta?

Assim, se receberem um escrito "estranho", avalie com calma e não "espalhe o fato".
Procure conversar antes com a pessoa. A resposta pode impressionar.

Agir com paciência e cuidado é o que torna uma pessoa elegante.
Ainda que você ouça palavras ofensivas ou receba um e-mail estranho, e daí?

Não responda.
Porque? Ora, um erro não justifica outro erro. Simples assim.

Tampouco arme um "circo" com a história. Quem tomar ciência dos fatos verá que a carroça que muito barulho faz é a que está vazia. Já á carroça silenciosa, é a que está cheia de grãos, fazendo o seu trabalho honestamente, é muito pesada e anda devagar, com calma, sem fazer nenhum barulho.

As pessoas "enxergam" esses tipos de carroças.
Ninguém gosta de carroças barulhentas... procure sempre ser a silenciosa, a discreta. Com certeza, esta é a mais elegante também.

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