A Delicadeza e a Elegância são reflexos naturais de nossos hábitos e escolhas.




19 de jun. de 2010

Chuchu

No começo do ano passei por uma situação bizarra: Eu sempre almoço no mesmo restaurante por quilo e naquele dia fazia um calor absurdo aqui na cidade. Quando eu vi o buffet de saladas, notei que havia uma grande quantidade de chuchu.

Bem, para quem não sabe, o chuchu é um vegetal excelente para baixar a pressão e quem tem pressão baixa deve evitar. Tenho varias amigas que vivem fazendo dieta e comendo chuchu por ser diuretico e depois passam mal, principalmente em dias quentes como aquele...

Então, sabendo de tudo isso, eu resolvi gentilmente comentar com a dona do restaurante. Quando passei pelo caixa, disse delicadamente que eu havia visto chuchu no buffet de salada e que esse vegetal baixava a pressão das pessoas e num dia quente como aquele, os clientes poderiam passar mal depois e achar que era por causa da comida.

Pois bem, eu disse isso para ajudar, porque eu sempre almoçava ali e achei que talvez a dona do restaurante não soubesse... eu também disse tudo isso em tom baixo.

Sabem o que aconteceu? A dona do restaurante me respondeu super agressiva, GRITANDO: "Mocinha, você está desinformada, porque o chuchu é um alimento excelente para dieta, rico em minerais e todo mundo adora!" - E virou a cara!

Eu fiquei chocada! Eu não estava agredindo ou criticando essa mulher. Eu só fiz um comentário que eu achava que podia ajudar, de forma super discreta, mas obtive pedras como resposta.

Ademais, acho que mesmo que eu estivesse errada, ela poderia ser educada e dizer: "ah, obrigada pela informação, vou pesquisar" ou qualquer outra coisa do tipo.

Mas jamais poderia agir de forma tão agressiva. Eu nem sabia o que responder.
Fiquei surpresa com a falta de educação dela. Paguei a refeição e nunca mais voltei lá.

Mas fiquei triste porque a mulher não entendeu minha intenção. Eu não estava agredindo ou criticando ela, estava apenas tentando ajudar..

Na verdade, essa situação pode acontecer com qualquer pessoa que tenta aconselhar outra. As observações ou até as criticas nem sempre são vistas como algo que pode mehorar a situação, mas sim como uma ameaça que deve ser eliminada violentamente.

É uma pena.
Precisamos ouvir com calma e ver que por tras de uma critica, uma observação pode existir uma verdade que pode nos ajudar.

E mesmo que a pessoa esteja errada, um erro não justifica outro.

Ter calma e saber ouvir também são elegantes.

5 de jun. de 2010

Teimosia

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Teimoso é aquela pessoa que gosta das coisas "do jeito dela".
É também aquela que acha que está sempre certa.

E para isso não poupa palavras para criticar qualquer um que não se encaixe nos seus "padrões".

Tenho pena dessas pessoas.

Tenho mais pena se elas tem algum tipo de "poder" sobre outras.

E tenho muito, muito mais pena, se de qualquer forma ela é bem sucedida e admirada por outras, porque no fundo ela estará servindo de "exemplo" ou "modelo" equivocado para várias pessoas.

É o caso de quem conquistou alguma coisa e só trata por igual aqueles que estão no mesmo "nível". São aqueles que também acreditam que as pessoas que não conseguiram alcançar o sucesso são preguiçosas ou não possuem persistência como eles.

Ou seja, acreditam que todas as pessoas são iguais, mas só eles foram fortes e bons o suficiente para conseguirem algo. Assim, quem não alcançou igual reconhecimento é fraco ou não possui ambição.

Esses indivíduos esquecem o principal: as pessoas não são iguais.
Não possuem as mesmas origens, a mesma educação, não estudaram na mesma escola, não tiveram as mesmas oportunidades. Ignoram as deficiências e os problemas pessoais dos outros.

Mas que exemplo é esse que não respeita a individualidade de cada um?
Que não respeita as origens? Que não respeita as deficiências?
Que somente as coisas realizadas do seu jeito é que estão corretas? Todos os demais estão errados?

Não é porque uma pessoa lutou e conseguiu "tudo", que aquelas que continuam lutando, mas não conseguiram podem ser consideradas fracas, burras, preguiçosas. Não quero dizer que as pessoas que não conseguiram, é porque possuem boas "desculpas". Não trato aqui dessas pessoas, porque as razões podem ser muitas, e talvez algumas até sejam preguiçosas.

Mas o erro, o desacerto, a falta de sorte, a burrice, a falta de oportunidade ou qualquer outra razão que você entenda como causadora, não pode ser utilizada como uma "condenação" sobre o próximo.

Ademais, o que deu certo para você, não significa que seja uma receita absoluta de sucesso.
Trato aqui dos teimosos, que acreditam que são os "donos da verdade" e julgam os demais através dos "seus parametros".

É importante enxergar que as pessoas são diferentes.
Assim, deve se ter muito cuidado ao dar um "conselho", pois este pode configurar uma crítica injusta àquele que o ouve. Tenha calma e paciencia, pois nem todos são iguais. Respeite as opiniões.

Respeitar o proximo é mais do que ser elegante. É ser HUMANO.

Assim, você se tornará uma pessoas muito melhor e consiguirá ajudar outras com o seu exemplo.

Mas se insistir na teimosia, em acreditar que é melhor que os outros e que somente do seu jeito as coisas darão certo, essa atitude só elevará o seu patamar de inferioridade - além de ser visto como uma pessoa teimosa, serás reconhecida entre os seus também como orgulhosa e arrogante.
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3 de jun. de 2010

Lembranças Antigas

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"Quem disse que eu me mudei?
Não importa que a tenham demolido:
A gente continua morando na velha casa em que nasceu."

( Mário Quintana )
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As vezes minha infância no interior retorna à memória...
Eu morava na casa amarela da rua.
Passava as tardes brincando e lendo.
Eu era da "turma da rua de cima" - será que ainda existe isso?
Com 7-8 anos eu jogava "betes" na rua com meu irmão.

Mas definitivamente, não sou mais aquela garotinha.
Cresci e tanta coisa mudou... MAS não para aqueles que me conheceram naquela época!

As pessoas fazem isso: "congelam" na memória histórias, fatos, e como eles ficam lá esquecidos, as vezes podem até causar confusões.

As lembranças costumam ser "retiradas da gaveta" na primeira oportunidade que surge, seja para narrar uma boa história, seja para agredir (as vezes sem querer).

Infelizmente passei pela segunda situação, uma coisa bem bobinha, mas que servirá para ilustrar o assunto.

Fiquei mais de 15 anos sem aparecer na minha cidade natal.
Sai de lá com 12-13 anos e fui morar na Capital do Estado, cerca de 500km de distância.
Quando voltei recentemente, para um casamento, encontrei velhos amigos do colégio.
Bom, nem preciso dizer o choque que foi para eles encontrarem aquela menininha agora BEM DIFERENTE... :-)

Engraçado, naquela época da escola eu era a garota "magrela, girafa, olivia palito, quatro-olhos, sorriso de metal" e deve ter sido a imagem "que ficou", pois NÃO FUI RECONHECIDA POR NINGUÉM.

Após descobrirem a identidade da forasteira, o primeiro sentimento foi de susto! Eles não acreditaram que era "aquela" menininha (eu devia ser muito feia!!)
Mas todos foram muito gentis comigo, disseram que eu estava linda, queriam todos os meus contatos, me chamaram para o churrasco da turma que aconteceria na outra semana, etc.

Contudo, em determinado momento da festa, um deles falou em alto e bom som, na frente de umas vinte pessoas: "Nossa, eu lembro que você comia "muita" pasta de dente quando a gente estava na pré-escola, com 5 anos"!

Foi tão ridículo que todo mundo riu!!!
E o pior: passaram a me tratar como "a garota que comia pasta de dente".

Eu não achei a menor graça.
Por vários motivos:

1º) Eu nunca comi pasta de dente. (até perguntei para meus pais depois, para confirmar)

2º) Eu não fiz a pré-escola com aquela pessoa - alias, com ninguém. Eu ficava em casa com 5 anos, com a babá. Ou seja, ele fez uma confusão.

3º) Mesmo que eu tivesse comido pasta de dente, tijolo ou papel, que importância isso teria 23 anos depois?

4º) Aquelas pessoas nem me conheciam mais, mas acharam que tinham o direito de me agredir daquela forma, durante o resto da festa!

Quanto ao homem que fez o infeliz comentário:
Será que não passou pela cabeça dele que essa lembrança poderia ser de outra pessoa?
Será que ele não pensou que poderia ofender?
Será que ele gostaria que eu fizesse o mesmo comentário dele?
Afinal, para que serve uma informação dessas???

Tentei negar, explicar que não era verdade, mas ninguém me ouviu.
Preferiram acreditar na versão daquele homem, que acreditava que era eu que comia "muita" pasta de dente quando criança. O pior, é que ele espalhava para todos que tinha "certeza", afastando assim qualquer "engano"!

Ainda que fosse verdade, porque as pessoas se fixaram numa lembrança tão antiga e que não fazia o menor sentido com minha condição atual? Mesmo que eu tivesse comido tubos e tubos de pasta de dente, uma atitude de criança não revela nada da personalidade de um adulto. Ou eles acham que eu continuava a comer pasta de dente?
Não posso ser tratada hoje, por atitudes de quando eu tinha 5 anos.

As pessoas tem que ter o bom senso de pensar nas conseqüências antes de dizer.

É claro que uma pessoa que fala uma coisa dessa NÃO PENSA, pois que utilidade tem você narrar um fato que só ofende ou denigre uma pessoa? Só por esse motivo já se torna uma atitude muito deselegante. Ademais, falar mal dos outros ou comentar lembranças que nitidamente não correspondem ao fato atual não acrescentam nada para quem ouve. Acrescente-se também que ninguém é perfeito.

Entretanto, infelizmente, as pessoas insistem em "desenterrar" lembranças, sem pensar antes nas consequências. Elas esquecem que ninguém fica estagnado no temo. As pessoas mudam, evoluem. Ninguém é o mesmo de ontem. Imaginem então se passaram mais de 20 anos?!

Assim, quando encontrares um velho amigo ou conhecido, por mais engraçada ou divertida que seja a lembrança que você tenha dele, se for algo que pode o denegrir, NÂO FALE.

Primeiro, por que não servirá de nada - afinal, quem gosta de ser lembrado por ser a gordinha da turma? Por ser o menino que fez xixi na sala de aula? Por ter chamado a professora de "mãe"?

Isso também serve para qualquer lembrança da sua vida: aquelas histórias da época da escola, da faculdade, de uma viagem com os amigos.

Talvez a própria pessoa diga: "Lembra que eu era a menininha que vocês chamavam de quatro-olhos?" - Ai sim você pode dizer que lembrava mesmo e aproveite para pedir desculpas. É muito mais elegante.

Em segundo, seria muita ingenuidade da sua parte achar que uma pessoa continua a mesma depois de muitos anos... ou você também ficou parado no tempo?

Fazer um comentário de um fato passado é algo extremamente desnecessário.
É como se você ignorasse que a pessoa mudou, evoluiu, cresceu.
Ou seja, somente você se tornou uma pessoa melhor? As outras continuam criaturas estagnadas na sua memoria? É muito injusto.

Assim, por mais divertida que seja a sua lembrança, se você encontrar novamente a pessoa, PENSE:
- será que não estou fazendo confusão?
- a lembrança só vai ofender?
- será que a pessoa não mudou desde então? De que servirá minha lembrança?
- eu gostaria que ela se lembrasse de todas as minhas criancices e erros e as ficasse espalhando por aí?

Na dúvida, trate-a como se não lembrasse do fato que pode ofender ou simplismente é inútil.

É muito mais elegante.

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Por isso discordo totalmente do Poeta.
Não continuo morando na mesma casa em que nasci.
Estou passando por profundas mudanças desde aquela época.

É muita ingenuidade achar que continuo a mesma.
Infelizmente, as lembranças não acompanham as mudanças.
Cabe a nós enterra-las e enxergar que todos evoluem e progridem.
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Da Discrição

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DA DISCRIÇÃO

Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...

( Mário Quintana )

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Achei por acaso essas linhas do Poeta gaúcho e acho que ele tem toda a razão: nossos amigos possuem amigos também.

Mas como somos nós como "amigos"?
Nós "guardamos" o que ouvimos ou vamos logo contando a todo mundo a novidade?

Noto que as pessoas repetem o que ouvem com a maior naturalidade, sem verificar a fonte e até se é verdade o fato.

Com certeza não é um comportamento correto e tampouco elegante...
Ademais, podemos ser mal interpretados e até vítimas de pessoas de má índole.

Acredito que quando uma pessoa me conta um fato, mesmo que ela não diga "é um segredo, não conte para ninguém" - implicitamente eu não adquiro o direito de sair espalhando por ai. Principalmente citando a pessoa que disse e mais ainda se eu não tenho certeza se o fato é verdadeiro.

Por exemplo: Meu colega de trabalho me conta que pretende tirar férias no próximo mês e vai para o Canadá. Ótimo, eu o parabenizo e fico feliz.
Contudo, não acho que tenho o direito de sair espalhando para o resto do departamento.

Já pensou se ele nega isso na frente dos demais? Com que cara eu fico? Seria a minha palavra contra a dele... uma típica cena de criança, mas que infelizmente acontece.

Por isso, em qualquer situação em que ouvimos um fato, uma história, devemos guarda-lo para a gente e não ficar espalhando por ai, pois além de passarmos por fofoqueiros, podemos ser também taxados de mentirosos.

Outra questão importante, é quando "ouvimos dizer" um fato qualquer.
Temos que ter o cuidado de informar o ouvinte que não temos certeza do fato.

No ano passado peguei um ónibus e alguns passageiros comentavam uma frase que uma atriz famosa teria dito há muitos anos atrás, era uma frase bem preconceituosa.. E todos a criticavam "violentamente" pelas supostas palavras. Resolvi indagar àquelas pessoas se elas tinham CERTEZA sobre o referido fato, se a atriz realmente tinha dito aquilo...

De repente, todos os passageiros se calaram, ninguém tinha certeza.
Aí uma mocinha disse: "ah, mas ela seria bem capaz de dizer isso"
E continuaram a falar mal da atriz!!

Ou seja, o importante era falar mal dela. - independente de ser verdade ou não o fato narrado. Tal comportamento é mais lamentável ainda...

O cuidado no uso das palavras ainda alcança as cartas, e-mails ou qualquer coisa escrita.
As pessoas infelizmente tendem a "ler" o pior nas entrelinhas, imaginando coisas.

Falo por experiência própria: Uma vez recebi um e-mail meio seco de uma amiga e já fiquei "imaginando coisas". Dias depois quando conversamos, eu disse o que senti e notei que ela ficou super assustada, visto que apenas queria passar um recado e não se atentou para o uso das palavras. E eu aqui imaginando coisas... Ainda bem que não comentei com mais ninguém o fato, afinal, de que adiantaria também? Era um assunto meu e dela...

Contudo, já recebi e-mails em situações semelhantes do suposto "ofendido" encaminhando o e-mail p/ pessoas conhecidas e acrescentando: "olha só o e-mail que recebi de fulano! Ele não é um estúpido?!" - Isso definitivamente não adianta nada, a meu ver, só piora a situação.
O que adianta meia dúzia de pessoas a mais na história? São julgadores? São ELES que vão decidir o futuro da situação??? Por que não ouvir a pessoa antes? Por que agir já com a pedra na mão?

Acredito sinceramente que não se pode agir assim. Além de deselegante, é extremamente injusto. Ninguém é dono absoluto da verdade.
Ademais, qualquer pessoa pode errar - alias, é o que mais acontece.

E pessoas inteligentes, sensatas, sabem disso. Nessas horas, se receber um e-mail aparentemente estranho ou meio seco de um amigo, pense com calma: talvez ele não estava num dia bom, talvez ele escreveu meio rápido, talvez o e-mail nem era para você! Vale a pena jogar fora uma amizade, tantos momentos legais juntos, por causa de meia dúzia de palavras mal redigidas? É justo julgar uma pessoa por causa de um e-mail? Uma carta?

Assim, se receberem um escrito "estranho", avalie com calma e não "espalhe o fato".
Procure conversar antes com a pessoa. A resposta pode impressionar.

Agir com paciência e cuidado é o que torna uma pessoa elegante.
Ainda que você ouça palavras ofensivas ou receba um e-mail estranho, e daí?

Não responda.
Porque? Ora, um erro não justifica outro erro. Simples assim.

Tampouco arme um "circo" com a história. Quem tomar ciência dos fatos verá que a carroça que muito barulho faz é a que está vazia. Já á carroça silenciosa, é a que está cheia de grãos, fazendo o seu trabalho honestamente, é muito pesada e anda devagar, com calma, sem fazer nenhum barulho.

As pessoas "enxergam" esses tipos de carroças.
Ninguém gosta de carroças barulhentas... procure sempre ser a silenciosa, a discreta. Com certeza, esta é a mais elegante também.

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Primeiro exemplo de Elegância

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Minha primeira lembrança de pessoa delicada foi uma colega da escola.

Eu devia ter uns 11-12 anos e Isabele(*) era considerada a mais delicada da classe e consequentemente a mais elegante.

Nós erámos tão pequenos mas já sabíamos disso! Pois é, elegância e delicadeza sempre chamam a atenção, mesmo num ambiente de pessoas tão jovens.

Mas afinal, como era Isabele? Resumidamente:

- falava baixo - nunca a vi gritando com alguém.
- sempre caminhava tranquilamente, ao entrar na sala, sair da escola (salvo nas brincadeiras na hora do intervalo e aulas de educação física)
- não falava mal de ninguém
- sempre encontrava os amiguinhos com um sorriso nos lábios.
- dizia "bom dia" para todos os funcionários da escola.
- retirava o material da mochila com tranquilidade, abrindo com calma seu estojo. Em seguida, começava a copiar a tarefa da lousa.

Ja a pessoinha que escreve essas linhas era bem diferente... não que eu não dissesse bom dia ou não fosse boazinha, mas eu vivia correndo e gritando, além de estabanada com qualquer coisa que caisse em minhas mãozinhas.

Mas ao mesmo tempo eu admirava aquele jeito da Isabele.

Contudo, eu não via solução: eu era estabanada e Isabele delicada - ponto final.
Acreditava que haviam pessoas que nasciam com aquele "dom" de serem delicadas e eu não tinha esse dom.

Um dia, eu perguntei para ela:
- "Isabele, como você consegue ser assim? (calma e delicada) Parece tão difícil!"

Ela disse sorrindo:
- "eu gosto de ser assim, então fica fácil!"

Aquela resposta me encantou... porque eu também gostava daquele jeito!

Note que Isabele não disse "eu sou assim"
Ao contrário, ela disse que "gostava de ser daquele jeito", ou seja, implicitamente era uma ESCOLHA dela ser delicada, organizada, calma.

Aquela resposta tão simples era a chave: tudo se resumia a essa escolha de "querer ser".
Afinal, quem era "dono" do meu corpo? Quem fazia minhas pernas caminharem ou correrem, ou minha voz se elevar ou falar baixo?

Não era algo impossível, mas algo que eu podia escolher e se tornaria fácil e gostoso com o tempo.

Fiz isso! Decidi que seria uma pessoa mais delicada, mais organizada.

No começo foi difícil falar baixo e cuidar com delicadeza das minhas coisas da escola (caderno, estojo, etc).
Mas logo logo eu comecei a colher os resultados: a professora passou a usar o meu caderno como exemplo de organização e me tornei admirada também.

Vejam bem, eu não "copiava" Isabele e não queria "ser Isabele".

Eu queria ser apenas delicada e elegante.
E gostava tanto da ideia que passei a gostar também de ser uma pessoa organizada, delicada, e isso se tornou extremamente fácil a cada dia que passava.

Infelizmente, 2 anos depois daquela conversa com Isabele eu mudei de cidade e de escola e nunca mais a vi. Mas a doce lembrança de seus modos marcaram para sempre minha vida.

E desde aquela época passei a ESCOLHER ser uma pessoa melhor: mais organizada, mais delicada, falando baixo, etc.

Não foi fácil.
Alias, me considero ainda "em evolução".

Confesso que a vontade de ser uma pessoa melhor não mudou nada de lá para cá - só cresce a cada dia. E olha que não veja a Isabele há 18 anos...

Mas as mudanças que fiz desde aquela conversa, são notadas pelos meus amigos atuais, que também me consideram calma, delicada, etc. E a mesma lembrança que eu tenho daquela Isabele, é a que escuto quando encontro velhos amigos da faculdade ou do colégio.

Essa é a primeira lembrança que tenho de uma pessoa delicada - e vocês?

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(*) Isabele é um nome fictício.
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